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  capacitações e aprimoramentos

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Garrincha


Em 10/02/2020 às 10:50

13.2 - CAPACITAÇÕES E APRIMORAMENTOS.

Um jogador de futebol tem que efetuar exercícios para desenvolver capacitações e aprimoramentos, pois assim irá melhorar os atributos que já possui e adquirir outros atributos importantes que não possua.

Quando menino, meu pai notou que eu era destro e a canhota era cega, ou seja, só servia para saltar do bonde, como dizia o jargão da época.

Na sua concepção, como jogador de futebol que foi e era ambidestro, as duas pernas tinham que ter similaridade e não era suficiente chutar e apenas chutar com ambas, mas trabalhar as jogadas, também fazendo uso das duas pernas e dessa forma, começou a treinar minha canhota.

No início foi um desastre, pois não se resumia a não saber chutar a bola com o pé esquerdo já que eu não conseguia travar e parar a bola com esse pé e ela passava zombeteira sob o mesmo.

Ele não desistiu de exigir isso de mim e de tanto insistir, comecei a ter alguma melhora com a perna esquerda e com esse pequeno progresso veio o golpe final em forma de desafio, que consistiu no seguinte: as balas Ruth, vendidas a varejo nos armazéns e botequins dos bairros no Rio de Janeiro, lançou um álbum de figurinhas que vinham embrulhando as balas, com fotos coloridas de coisas típicas do Brasil e se tornou a coqueluche da garotada. Ele estabeleceu uma quantidade de embaixadas que eu deveria atingir com a perna esquerda e caso atingisse o número de repetições estabelecidas, ganharia um prêmio. Fiquei quase um mês tendo direito a apenas uma bala, mas súbito consegui duas vezes e logo, logo três vezes e treinava e treinava e assim fui para quatro, cinco, dez vezes e quase enchi o álbum e ficou me faltando as duas figurinhas mais difíceis; a casa de madeira e o pé de cana de açúcar. Ele então me fez um desafio, que compraria uma das figuras no mercado negro, se eu fizesse 25 embaixadas e a outra se eu fizesse 50 embaixadinhas com a perna esquerda.

Trenei de forma diária e com determinação e no primeiro mês ganhei a cana de açúcar e no fim do segundo mês a casa de madeira e dessa forma ganhei minha primeira bola de futebol, uma Superball número 5, que era a oficial dos jogos no Brasil, que era o prêmio dado a quem completasse o álbum.

Aí começaram as lições acrescentadas, pois tudo eu repetia de driblar e chutar de curva com o lado interno e a “trivela” usando o pé esquerdo.

Antes de entrar no assunto, ainda queria falar por um obstáculo que me foi muito difícil de superar, pois ele havia falecido e eu então tive que seguir por conta própria, que foi o seguinte: eu tinha dificuldade em passar a utilizar o pé esquerdo de imediato pois a passagem do domínio da bola do pé direito abruptamente para o pé esquerdo, não estabelecia o sincronismo necessário e a coisa só funcionava quando eu jogava como canhoto ou como direito, mas não conseguia ser as duas coisas simultaneamente.

Um dia na aula de biologia, que por sinal eu detestava, pois meu negócio sempre foram os números e os desafios de Dona Matemática, o que me levou a diplomação em engenheiro eletricista, a professora explicou que os direitos pensam com o hemisfério esquerdo e os canhotos com o hemisfério direito e tudo me fez sentido, mas o problema continuava, pois não sabia mudar a posição da chave de uso dos hemisférios, até que um dia, assistindo um filme sobre os fuzileiros navais americanos, um sargento que tirava o couro dos recrutas, os ensinou como deveriam consertar o passo errado durante uma marcha e vi ali uma solução para o meu problema, mas dei de cara com um obstáculo, pois dentro de campo ou de um quadra, participando de uma jogada, não tinha como “mudar o passo”!

Felizmente a vida me fez um teimoso, não daqueles que se fundamentam na chateação, mas dos que fazem uso da determinação.

E eu pensava, pensava e um dia, por estar comendo muito ligeiro, mau hábito que ainda carrego comigo, me engasguei e percebi que talvez através da troca abrupta da respiração, teria um marca passo que me resolveria o problema, pois ele é quase que instantâneo e... funcionou.

Com isto virei um jogador diferenciado, pois trocava de pernas e chutava de forma adequada e por consequência, as coisas ficaram mais fáceis para mim.

Essa descoberta me serviu de “input” para outras coisas e desenvolver alguns exercícios específicos e é sobre eles que passo a escrever agora.



LUIZ SERGIO CUNHA

 
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