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blumenau/SC

Garrincha


Em 13/01/2020 às 15:04

J – VISUALIZAÇÃO DE JOGO

Tanto para o técnico na beira do gramado, como para os jogadores em campo e os que ocasionalmente estejam no banco, é fundamental a leitura de jogo.

O futebol é um esporte que exige ocupação e defesa inteligente de espaços e quanto mais uma equipe for compactada nesse sentido, defensiva e ofensivamente, terá o domínio de campo e mais próxima estará da vitória.

Ele não é só jogado dentro de campo e naquele momento, mas deve ser jogado previamente com a preparação da esquematização adequada e a neutralização dos potenciais do adversário, os quais são analisados e dissecados através da ajuda de edições e estudos prévios das recentes atuações do adversário, elaborados  por especialistas em análise tática.

Se iludem aqueles que pensam que basta ter craques dentro de campo. Tem que ter craques também nessa “modelagem” prévia de como jogar, que é a função desses profissionais de bastidores. É fundamental.

Como exemplo disso e o tempo não disponibilizava dos recursos atuais, registro que na copa de 1970, o nosso ponta direita titular seria o Rogério, intitulado “Bailarino” pela sua fantástica capacidade de driblar e o Jairzinho seria seu reserva. Ocorre que ele na véspera de nossa estreia se machucou e sua recuperação exigia um período longo e foi cortado da relação, mas permaneceu na delegação com a missão de ir fotografar e observar nossos adversários, para sabermos como se distribuíam e se movimentavam em campo.

Com base nessas fotos, eram traçados pelos analistas os nossos esquemas de jogo e face o sistema defensivo da Itália ser um permanente homem a homem, foi elaborada uma movimentação para desmantelar a mesma e os nossos jogadores entraram em campo na certeza que a vitória era imperativa e foi o que ocorreu e os nossos gol, demonstram exatamente isso pela forma como foram assinalados.

Outro exemplo de como aquela seleção era inteligente fora e dentro de campo foi no gol de empate contra o Uruguai, ao qual viramos um resultado adverso de 0x1 para 3x1. Nossos hermanos, sabiamente, perceberam que marcar o Pelé era uma tarefa muito difícil e então teriam que impedir que a bola chegasse nele e quem era o seu municiador? Um cara chamado Gérson e aí colocaram sobre nosso meia armador, uma marcação homem a homem sem dar qualquer espaço ou margem para ele pensar em construir, mas no máximo conseguir entregar a bola para nossos defensores ou o volante Clodoaldo, que não tinha como seu forte o lançamento, mas a marcação. Gerson notou isso e aí preparou o antídoto e trocou de posição, ficando ele de volante marcador e o Clodoaldo de meia armador e com liberdade de se projetar. Imediatamente após essa troca de função, Clodoaldo se projeta livre pela meia esquerda, invade a área uruguaia, recebe o passe, finaliza e empata a partida, o que nos permitiu ir para o intervalo em igualdade e lá se arquitetou nova forma de jogar e fizemos mais dois gols e poderíamos com um pouco mais de sorte ter feito outros dois.

Quando falarmos sobre esquematizações, vamos ver que não é necessário, mas infelizmente costumeiro, trocar jogadores para mudar a forma de atuar e que isso pode ser feito com mudança de funções em campo, pois a premissa e que substituições devem ser excepcionalidades, pois em campo está sempre a melhor formação para aquele adversário.



LUIZ SERGIO CUNHA

 
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