Paulo Autuori tem alguns dilemas para pensar até a abertura do confronto do Botafogo com o Vasco pela Copa do Brasil. Manter a aposta na linha defensiva com cinco homens ou abrir mão de um zagueiro? E, seja qual for a opção, que homens usar à frente da defesa?

No fundo, o treinador alvinegro enfrenta uma dificuldade comum a vários de seus colegas que tentam gerir elencos com desequilíbrios, quase sempre resultantes das dificuldades econômicas dos clubes. Autuori vem se esforçando para usar, dentro de sua escassez, o que tem de melhor em termos de qualidade técnica individual. O resultado, no entanto, tem sido um time pouco competitivo. De acordo com os números, o menos intenso do Campeonato Brasileiro até aqui.

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O torcedor alvinegro tem motivos para lamentar os gols sofridos no fim de jogos, momentos em que a pressão de adversários se tornou mais intensa e o time não suportou. Nem tudo se explica nas estatísticas, mas elas dão um caminho. Na hora em que mais foi preciso competir, o Botafogo não conseguiu.

Algumas métricas medem a tão falada intensidade, conceito um tanto subjetivo. Por exemplo, o número de duelos, tentativas de desarmes ou interceptações feitas a cada minuto de posse de bola dos rivais. O Botafogo tenta, em média, 5,6 destas ações de combate a cada minuto em que seus adversários têm a bola. A marca é a vigésima do Brasileiro, ou seja, a pior. Outra medida é número de passes permitidos em cada ação defensiva, ou seja, em cada passagem do jogo em que não tem a bola: o Botafogo permite a seus oponentes 17,51 passes em média. Novamente, é o pior índice de intensidade do Brasileirão.

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O que resulta em outros que chamam atenção. Nenhum time faz tão poucas faltas quanto o de Autuori – 11,6 por jogo. E nenhuma equipe tem percentual tão baixo de duelos defensivos ganhos, apenas 52,9%.

Mas por que o Botafogo tem tanta dificuldade em ser intenso? Uma das explicações é a formação de meio-campo, com Caio Alexandre, Honda e Bruno Nazário. Todos entregam mais com a bola nos pés do que nas ações defensivas. Entre a busca por um marcador mais forte à frente da defesa e o uso de seus homens mais técnicos, Autuori optou pela segunda opção. Talvez a busca por um terceiro zagueiro, com a entrada de Rafael Forster para compor uma linha defensiva de cinco homens tenha sido uma tentativa de dar mais segurança ao time.

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De fato, o Botafogo até defende bem sua área em muitos momentos, mas o preço, em diversas passagens dos jogos, é ter um homem a menos de combate mais à frente. A substituição dos dois volantes no jogo com o Vasco colocou o foco em Caio e Honda, em especial no japonês, um personagem que desperta natural interesse.

Ele, de fato, tem deixado a desejar em mobilidade e velocidade de ações. Em média, tenta 46 passes por jogo, quase 20 passes a menos do que os volantes que mais passam no Brasileirão. E tem um índice de duelos defensivos ganhos bem menor também: 45%, enquanto os líderes no quesito ultrapassam os 65%. Ainda não fez gols, não deu assistências ou segundas assistências. Há quem cobre uma presença mais próxima da área, uma mudança de função. Mas colocá-lo perto da área rival seria ter Honda entre as linhas de marcação do adversário, o que exigiria ainda mais velocidade nas ações. Como volante, Autuori o utiliza num espaço de campo em que ainda há tempo e espaço para o passe. E a distribuição de bolas do japonês é boa.

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Mas por que, então, o Botafogo deu tantas vezes a sensação de que produzia para vencer jogos? Em especial, por ter evoluído em seu jogo de saídas rápidas para o ataque, especialmente pelos lados do campo. E, neste ponto, a perda recente de Luis Henrique foi um duro golpe. Mas o Botafogo consegue chegar em velocidade com boas tramas ofensivas ao gol adversário. É o sétimo que mais finaliza no Brasileiro e também o sétimo que mais cruza – por buscar muito as laterais. Tem, inclusive, o maior índice de acerto de cruzamentos.

A questão é como Autuori irá combater a baixa intensidade sem perder a capacidade de incomodar o adversário. Kalou, que chegou em bom estado físico, é ótima opção como ponta ou segundo atacante. Resta saber se o treinador vai buscar mais força física à frente da área e manter a aposta em Renteria e Luiz Otávio, lançados ainda no primeiro tempo do clássico de domingo nos lugares de Honda e Caio Alexandre. E se repetirá o sistema do segundo tempo, com apenas dois zagueiros.

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Fonte: O Globo Online